Mas dá pra ler em menos tempo.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

A Fuga

“Eu quero mais é fugir daqui. Quero fugir sim. Não dos problemas, porque  não me afligem, nem das derrotas porque nem me lembro delas. Quero fugir do comum. Ah como me sufoca esse normal. Esse calado. Tenho tarefas básicas como estudar, trabalhar e lavar louça e só isso já me parece irritante o suficiente pra correr pra bem longe.

Sinto que estou preso. Preso, talvez em mim mesmo. Na minha preguiça de mover-se. Mas também preso nessa cidade. Dura e rigida. Dura e cinza. Dura e morta. Dura. Cansei desse lugar. Não critico as pessoas. Logico que não critico. São as boas e importantes. Mas as vezes quero é estar onde ninguém me conhece. Onde não tenho tarefas. Nem fisicas, nem psicológicas. Quero ver lugares, observar o por do Sol. Ver cada vez melhor as estrelas. Quero ver quedas d’agua, altas, enormes! Quero ver a neve. Montanhas, campos verdes e belos! Quero sentir aromas! Da grama, das arvores, dos rios e lagos. Quero remar, correr, sorrir, escrever. Quero uma folga. Uma casinha no meio da selva, ou no alto de uma montanha. Um flat num lugar bem movimentado, bem agitado, onde ninguem nunca me viu.

Quero compartilhar experiencias, conhecer pessoas, rir e sentir saudade. Viajar. Sem rumo. Sem tempo.”

Foi isso que ele me disse antes de ir.

Eu lembro de ter perguntado 

“ Você não está exagerando?”.

E ele respondeu:

“Me diga você.”  

Um comentário:

  1. Eu diria que tem alguns dias que essas vontades batem sem qualquer aviso prévio. Vai entender por que.

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