Essa é mais uma daquelas histórias que fazem a gente rir depois de um tempo. Esse tempo não passou ainda. Não foi nenhuma tragédia, longe disso, mas é ínteressante notar como as circunstancias da vida as vezes ficam rindo de mim.
A parada começou com uma bela falha na comunicação. Essas falhas na comunicação acabam com a gente. Geralmente aquela frase que é dita por último quando você acha que a conversa já acabou e está saindo do quarto. Por exemplo sua mãe diz “ amanhã você vai de onibus!” e no dia seguinte só dá você sentado, atrasado e cuspindo fogo por ela não atender o telefone. Parece que quando tudo dá errado pra você, as pessoas desligam seus celulares automaticamente. “Puxa, o Felipe está precisando de carona, rápido, desliga isso!”.
A culpa dessa vez não foi minha. Ou talvez tenha sido. Como eu sou escritor, e ao longo desse texto vou jogar minha reputação no buraco algumas vezes, então opto por jogar essa responsabilidade nas costas da minha progenitora (A famosa “mãe”, pra quem não conseguiu identificar). Falei pra ela que tinha que marcar dentista e tudo mais, para checar o ciso (Mamãe, cresci!), e depois de certa argumentação pensei ter deixado claro que os únicos dias que não poderiam ser marcados eram segunda, quarta e sexta as 16h devido a outras responsabilidades. Alguns dias depois ela me aparece com um papel “ Dentista, quarta, 15h30.” Excelente.
Alguns podem dizer “ puxa, mas ela não marcou 16h! você está exagerando!” e pra esses eu digo, não preciso de vocês, saiam do meu blog. Brincadeira. Só pra descontrair. Enfim, moramos em São Paulo, não sabemos nunca quanto tempo efetivamente demora uma ida ao dentista e o transporte público, como citado no texto anterior, não é brilhante. Logo, fiquei de desmarcar. Esqueci. No dia, me bateu aquele remorso de cancelar o troço em cima da hora sem que a dentista tivesse tempo de colocar algum paciente no meu horario, então acabei indo.
Nem tudo estava perdido, só precisava pegar um onibus que me levasse direto até minha aula depois da consulta, então me preparei e fui. Com sorte, seria pontual. Sairia de lá 15h32 é chegaria com folga ao meu destino. É claro que se esse milagre tivesse ocorrido, não estariamos aqui, todos nós, rindo da minha cara.
Cheguei lá pontualmente. Um verdadeiro exemplo do Horario de Brasilia. Sentei naquela cadeirinha da sala de espera. Se tem uma coisa realmente traumatizante é a sala de espera. Eu tenho aflição a esses ambientes. Todos sentados em cadeiras, uma sim, uma não pra deixar claro o individualismo do paulistano. Pacientes com aquela cara de “podia estar assistindo Melhor do Brasil agora…”. A presença daquela recepcionista bem humorada, que adora estar ali, e responde suas perguntas como quem quer fazer uma cirurgia de apendice. E o pior, ah o pior! Aquelas malditas revistas! Caras! Caras, pelo amor de Deus! Acho que se tem um motivo para eu detestar ler revistas, o motivo é a sala de espera. Brother, na moral? O QUE ME IMPORTA SE A GISELLE BUNSHEJNXUJHDU FOI À PRAIA SEM ALIANÇA??? O que me importa se fulaninha conseguiu manter uma boa forma depois da gravidez? Isso é o caos! É o retrato do caos! Os miseraveis dos paparazis vão até o outro lado do universo, se escondem em moitinhas, arruinam a privacidade dos famosos pra me trazerem ESSA noticia? Ela estava sem aliança? Sério, eu estou rompendo com todas as formalidades de um texto escrito, mas não é possivel um lixo desses. Se ela estivesse voando, a um passo de dominar o mundo, inventando a cura da gripe ( já perceberam que gripe não tem cura? os remédios nunca funcionam, ela vem e volta quando quer. É tipo Winning eleven, todo ano lançam uma nova. Confira, Gripe 09 incluindo tosse seca, febres de 39 graus e nenhum atestado médico). Mas ela estava sem aliança. isso não me influencia em absolutamente nada. Não faz nem cocegas. Só falta virar a página e ler que ela depois disso ela chegou a falencia no banco imobiliario.
Enfim, essas revistas me enojam. Conseguiria escrever outro texto inteiro só pra esculachar. Prossigamos então na sala de espera.
O tempo foi passando, devagar e sempre. Tinha esperanças de sair de lá até 15h45, por acreditar que chegaria a tempo no outro compromisso. Doce invenção. Quer dizer, doce ilusão! (não entendeu? clique aqui e faça já o seu pedido!) O tempo foi se arrastando como um elefante gordo e que sofre bulling. Acho que senti minhas células envelhecendo naqueles momentos. Fui atendido, impressionantemente as 16h. Justamente 30 minutos após a hora marcada. Justamente no horario do meu sonhado compromisso. E saí, como previsto, justamente, 16h3. E estou com carie.
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