O sono da gente é uma coisa muito esquisita. É uma coisa muito esquisita, que ninguém vê como esquisita porque nunca parou pra pensar na parada. Sinceramente. Hoje dormi umas 13 horas (sim, um ato de vagabundagem, típico de mim) matei aula na preguiça de pegar dois onibus as 6h da manhã, e acordei pelo simples fato de pessoas entrarem no meu quarto e falarem em voz alta, dialogarem comigo acerca de coisas que não são normais para um rapaz que dorme. Acho que os pais da gente não fazem muita questão de serem discretos quando nós estamos dormindo até as 14h. Na realidade eles vão muito contra essa politica da gatunagem. Se são 8h, 9h da manhã eles entram silenciosamente no quarto, pegam o que tem que pegar ou fazem o que tem que fazer e se retiram. Se são 14h, eles inserem você nesse processo. Eles perguntam onde as coisas estão, como se imprimem tais documentos, o que significa cavalo de tróia, qual a nossa programação do dia a dia. Parece que eles não acreditam realmente que estamos dormindo. Acho que pensam “ Esse garoto está fingindo, ninguém dorme tanto assim.. aonde será que estão as folhas sulfites dessa casa?”
De qualquer maneira, o que é esquisito é o sono e não os pais. Os pais são outro assunto. Continuando meu exemplo, dormi 13 horas e sinto que poderia ter dormido mais. Depois durante a tarde deitei pra ler um livro e me deu aquela preguiça de novo. O que representaram essas 13 horas naquele momento? Nada!
Outro fenomeno relacionado. Quando estamos em sala de aula e sentamos na primeira carteira, certos de que vamos nos esforçar o máximo para sermos alunos nota 10 e os olhos começam a pesar de uma forma incontrolavel. Começo a ficar vesgo, ver tudo embaralhado e experimento me dar uns tapas na cara pra ver se ajuda. Essas técnicas nunca me ajudam. Tapa na cara, água na cara, cooper. Sim. Eu já tentei cooper.
E aí caímos numa das piores facetas do sono. Um dos eventos mais cruéis. Estou fazendo alguma coisa, assistindo um filme por exemplo. Quero muito continuar assistindo. Mas já está tarde. O filme está na metade e o sono começa a me esmurrar os olhos. Eu luto. Ele luta. É uma luta totalmente injusta. Eu luto kung fu. Ele tem uma arma. Até que desisto. Me levanto e vou tirar as lentes de contato. Ou, muito comum também quando algum amigo vem dormir em casa , vou preparar a cama dele, pegar travesseiro, lençol. Tudo pronto, tudo arrumado. Deito na cama contente e pronto para dormir. E não durmo. O sono se foi. O maldito sono se foi. Crianças, não tem essa de esperar o sono deitado. Quando sua mãe disser para você esperar o sono na cama, fuja, é uma cilada. Esse tal de Sono é um ingrato miseravel. Ele nunca vem. Só vem quando você desistiu de esperar. E aí não adianta mais.
Acho que seria bem mais facil se tivessemos um interruptor bem atrás do pescoço. Que pudessemos desligar, programá-lo para religar daqui a tantas horas. Não seria necessário o despertador. Taí um aparelho do diabo. Mas a ideia ia fracassar. Os colegas de classe iam ficar te desligando de sacanagem. Ia ser uma brincadeirinha muito madura. Igualzinha todas as que a gente faz no colegial. Assim como roubar a mala dos outros ou assoprar pó de giz na cara. A professora ia ficar interrompendo a aula toda hora “ Matheus, você quer fazer o favor de ligar o Felipe e parar com essa brincadeira idiota?” aí uma amiga nerd, que senta na frente e acha que vai conseguir passar na usp de primeira, vegetariana, e que acha que em ano de eleição o brasil não pode ganhar a copa para o povo votar consciente, ia virar e dizer “ vocês meninos nunca crescem..”.
Me lembrei daquela semana em que 'dormiram' todos no mesanino aqui de casa ...
ResponderExcluirótimo mano sempre um texto muito sério pra gente pensar! hahaha
ResponderExcluirsempre com muito senso de humor e criatividade... muito bom, lindo, me diverti muito..
ResponderExcluirCaraca mano
ResponderExcluireu ri a vale aqui com o pedro
hiuhuiahuiahuaihiuaha
eu luto kung fu ele tem uma arma
hiuahiuahuiahauihaiuh
parabéns
Caraca veio vc escreve bem mesmo em!! to com saudades de vc e do lucca ja mano !! qto tempo em! abraço garoto!
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