Mas dá pra ler em menos tempo.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

O Exame de Motorista (Parte VIII) – O FIM

 

É isso aí. Chegamos ao fim da nossa saga. Queria aproveitar pra mandar um beijo pra minha mãe, pro meu pai e pra você também Xuxa!

Depois que reprovei no primeiro exame, aliás, depois de ter sido totalmente desmoralizado por ele, realmente tive vontade de desistir. Morrer quatro vezes no mesmo teste era a maior prova de que eu não merecia nem tocar num volante de novo. Adiei o máximo que pude. A única motivação que tive, para refazer o teste, acredite, era o fato de que se eu demorasse muito, ia ter que passar por todo esse processo novamente. E vocês, queridos leitores, sabem o quanto já foi traumatico da primeira vez.

O dia foi extremamente pior do que da primeira vez. Antes de reprovar eu só imaginava o quanto seria dificil. Meu nervosismo era limitado a minha imaginação. Mas dessa vez era real. Era um medo baseado na desgraça. Voltei ao mesmo lugar. Aquela estação indiana de aflitos. Mil pessoas questionando qual era o significado de suas vidas, frente a face da morte. O meu coração batia num ritmo punk rock. Dizia “ Abram essa porta que eu quero descer!”. Eu pensava “ Mas que diabos eu to fazendo aqui?”. Não sabia dirigir. Olhava pra subida da morte com agonia. Estava sofrendo em silencio. Enfiado no meu casaco de pelos artificiais, sentia meu corpo fraquejar. Então não aguentei. Puxei o professor da auto escola de canto e ofereci uma nota de 50 reais para ele facilitar pra mim.

É claro que se isso fosse verdade muita gente ia me odiar agora. O anti-herói. Prazer, Macunaíma.

Obvio que não fiz droga nenhuma dessas. Escolhi me ocupar com uma coisa muito mais interessante. Degustar suavemente o sofrimento e o horror da espera. Desviava o pensamento, mas o ambiente era hostil. Eu tinha que me preocupar desnecessariamente.

Entrei no carro. Totalmente amendrontado e sem dificuldade de admitir. Troquei alguns versos com o grande estraga prazeres. O desgraçado disse que se chamava Duílio, ou algum nome igualmente bizarro, e eu, com todo o meu carisma só consegui dizer “ Diferente né?”. Um completo imbecil. Engoli seco e dei a partida. Cara, como eu estava nervoso. Passados uns 200 metros, o miseravel falou: “ Pode parar. Está sem o cinto de segurança.”

É claro que se isso fosse verdade muita gente ia me odiar agora. O grande imbecil. Prazer, Patrick Estrela.

Continuei seguindo em frente. Conversar com o diabo veste colete até que me acalmava. Cheguei na subidinha da morte. Estacionei. Tenso. A respiração travada. A porta é aberta. Show. “Pode seguir” ele disse. Com o pé na embreagem, pensei “ É uma cilada Bino”. Coloquei no ponto morto. Me certifiquei de que nada podia dar errado. Soltei a embreagem como quem corta o fio vermelho pra desarmar a bomba. Nada aconteceu. Estava salvo. Voltei pra pista, e fiz a curva logo em seguida. “ Você esqueceu de sinalizar”. Foi isso que o infeliz disse. Pra comemorar a minha vitória ele me deu um tabefe na nuca. Continuei dirigindo, agora mais tenso, e perguntei quantos pontos eu levaria.

Pra quem não sabe, você tem direito a levar três pontos. Se levar quatro, está fora.

“Cinco” ele disse. Pensei “ Vou preso”. Respondi “ Como cinco? Já reprovei então?”. Ele disse “ Segue”.

Fiquei como aquele cachorro que olha, pela primeira vez, seu reflexo no espelho e pensa “ Mas que tipo de bruxaria é essa?”

Fiz o restante da prova totalmente confuso. Cheguei na baliza e o meu pé tremia como um desgraçado. “Pé maldito, faça o seu trabalho!”. Falei em voz alta “ Meu pé tá parecendo um Pudim”. O cara riu. Foi o bastante. Dei a ré com o cuidado de um químico nuclear. Não queria que aquele composto explodisse bem na minha cara mais uma vez. Logo que entrei na vaga, saí. Fiz uma ultima curva e estacionei no ponto final. Olhei pro examinador. Esperei. Fiquei atento como aquele velhinho que acompanha o resultado parcial da tele sena dia dos pais. Pensei “ 5 pontos… não passei coisa nenhuma, vou é sair daqui algemado.”. Arrisquei um “ E ai?” E ele falou. “ Passou.”

 

 

 

PASSOU!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Não acreditei. “ALELUIA!”. Saí do carro com a música do Airton Senna na cabeça. A música do Rocky Balboa e a “ We are the champions” do Queen. Um verdadeiro pot-pourri de alegria. Ao contrário dos outros vagabundos que passam nessa prova e acham que é proibido demonstrar sinais de alegria,  saí gritando feito um retardado. “PASSEI!! PASSEI!!”  Ajoelhei no chão. Sim. Eu ajoelhei como um completo perdedor. Mas tinha vencido. Venci a copa do mundo. Liguei pra minha namorada. Estava incrédulo. Sobrevivi a guerra. Com uma faca.

Essa é a minha história. De um acontecimento tão banal na vida da gente. De um acontecimento que ninguém disse que ia ser tão sofrido. Que ninguém disse que ia ser tão angustiante. 

Ou talvez seja só eu mesmo, um tremendo idiota.

 

                          FIM

 

Agradeço a Deus por isso. Exageros à parte, Ele fez um milagre mesmo.

2 comentários:

  1. cara, a sua historia n teve graça, vc n soube contar um momento banal de nossas vidas (qe são coisas qe realmente interessam) de forma interessante e cm estilo; e me dá licença qe eu vou ali recuperar esses 5 minutos perdidos da minha vida lendo o seu texto, porq vc escreve mtu mal !!

    É claro que se isso fosse verdade muita gente ia me odiar agora. Prazer, adorei o seu texto !! (cm sua licença autoral) =DD

    ResponderExcluir
  2. hahahahaha.....é loko esse momento primãooOO! kkkk

    ResponderExcluir